Relaxe

Renata Barros trabalha e pesquisa diferentes materiais há mais de 25 anos: pintura, madeira, vidro, fotografia, látex e acetato. Paris, Berlim, Colônia, Milão, Santiago, Buenos Aires, Bruxelas, Hangzhou, Delhi, São Paulo e Rio são algumas das cidades onde expôs recentemente, trabalha com diversos suportes, construiu poética complexa servindo-se de diferentes linguagens e de conceitos, muitas vezes descontínuos, vou me ater dois momentos de sua trajetória.

Uma de suas principais séries é justamente a nova pintura que se configura na série Cadeiras, as quais representam uma matriz importante em seu trabalho, mostrando situações de visibilidade inusitada, mas toda a atenção está voltada para expressar através da pintura, da forma mais abrangente possível. A cadeira como objeto no espaço, volta novamente com o trabalho as “NAMORADEIRAS’’, expostas no Segundo festival SACI em ilha bela em 2017 (ver vídeo na exposição).

No segundo momento, a imagem do seu corpo contamina a sua obra, mas também a obra invade sua vida, tomando posse das duas experiências pessoais. O corpo é registro, memória. Ao mesmo tempo o corpo, como arte, é sujeito para a reflexão: o objeto, matéria, o espaço com transparências e opacidades, afastamento, a representação do corpo como imagem espelhada, que se opõem a matéria.

A ruptura ocorre quando a agulha deixa de ser objeto do mundo e se transforma em objeto do mundo da arte, principalmente quando se localiza no olho; dentro da caixa de vidro que ao mesmo tempo isola, faz transparecer o objeto sensível do seu corpo; em seus olhos trazendo à tona toda questão da violência a qual é parte importante de suas inquietações.

Nesta exposição trazendo trabalhos de diferentes épocas, podemos observar sua trajetória, composta pelos elementos expostos, despertando estranhezas; desta forma Renata amplia nosso mundo de sensações.

                                                                                            Nair Kremer