Mano Penalva

Mano Penalva,  Salvador - Bahia 1987, atualmente vive e trabalha em São Paulo.

O artista exploraa poesia obtida pelo deslocamento dos objetos de seu contexto cotidiano, trabalhando com diferentes mídias como pintura, fotografia, escultura e instalação. Sua produção engloba apropriações, nas quais desenvolve um estudo do objeto comum inserido na cultura, realizando uma longa coleta de artigos encontrados na rua e em mercados populares. Ao criar os trabalhos, subverte o valor dos objetos do cotidiano, propondo novos agrupamentos estéticos a partir da relação das estratégias de venda do varejo e das suas experiências de coleta.

Seu trabalho traz reflexões sobre o caráter dos objetos, como eles transitam pelo mundo, as relações de troca e acordos comerciais entre países. Eles adquirem diferentes camadas de significados quando utilizados por diferentes culturas, impactando na formação dos costumes de uma sociedade. Mano realça com seus trabalhos a ideia que a exponencial proliferação de objetos e imagens não se destinam a treinar a percepção ou a consciência, mas insistem em fundir-nos com eles.

"Penso que no trabalho de Mano Penalva essa qualidade de pele e movimento se atenuam. O corpo do artista parece o tempo inteiro negociar com os corpos-palafita por onde passa. Há nesse empenho um constante exercício em expor-se a essas forças do fora. Nesse caso, muito pouco interessa uma perspectiva etnográfica da caminhada, muito menos o troar afoito de um bandeirante que edificaria apenas linguagens, formas e representações. Nesse aspecto me parece oportuno problematizar um tipo exercício conquistado pelo árduo labor em driblar os ditames de um cotidiano centrado do “eu” para catapultar-se a novas dimensões do próprio corpo. Um corpo plasmado com a paisagem. Que enxerga-se como parte integrante de meio e permite-se ao admirável cruzamento que só a improbabilidade dos acontecimentos é capaz de oferecer. Há nesse modo de caminhada apenas uma obrigação: a de entender a vida, ou a arte, como o próprio gesto escultórico do fazer.” Tarcisio Almeida

“Gosto de pensar que meu trabalho é sobre as coisas do mundo, onde a improvisação, reutilização e reconfiguração estão em jogo. Me interesso na forma cotidiana da construção urbana ou rural, uso decorativo e prático do material, que de alguma forma refletem as realidades sócio-econômicas e culturais da população."  Mano Penalva